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Uma fé para o consumo


Uma fé para o consumo

          A cultura de massa encarregou-se da vulgarização e da deturpação de expressões religiosas e da natureza do mistério. Questões e problemas de fé são apresentados como se fossem qualquer tema de consumo. Para alguns, foram nivelados na mesma altura das discussões de roupas da moda, ou do carrão, ou da cerveja, ou de qualquer produto que é comprado em um shopping. Celebrações, gestos e ritos, que eram reservados ao espaço sagrado-mistérico, na mídia, são apresentados como qualquer mega show. Tornaram-se muito vulgar. Perderam toda a aura de sacralidade. As expressões da fé aparecem como objetos de uma nova cultura. São produtos da cultura urbana, do consumo provisório, descartável, funcional, a serviço dos gostos do freguês. Tal concepção deturpa a fé cristã, que não é produto de necessidades pessoais, nem projeção de desejos incrustados em corações frustrados por um sistema que desarranja a pessoa como um todo.

          A fé cristã é um chamado de Deus e uma resposta da pessoa humana, que procura seguir os caminhos de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Traduzida em ações que transformam. Abastecida e fortalecida em uma comunidade concreta, por meio de gestos sacramentais. Testemunhada em atos e atitudes que sinalizam o definitivo da vida. Bem diferente do estampado e produzido pela informação da mídia. A fé cristã é um anúncio e não uma informação. A diferença fundamental está no caráter que a envolve. Ela comunica o Evangelho, a “boa notícia”. Esta comunicação é proclamação, interpelação profunda de um novo jeito de viver, que se chama conversão. Desde o início, o Cristianismo foi traduzido num chamado radical à mudança de vida.                                                                                        Os evangelizadores estamos dispensados  de entrar na onda atual de que a Notícia que trazemos deve ser emocionante, atraente, sensacionalista, recheada de pormenores, milagreira e mágica. A Notícia da fé é diferente. Ele provoca. Questiona. Pede mudanças estruturais, em nível pessoal e social. É enganoso pensar que o grande problema da evangelização é o marketing, a embalagem externa da mensagem.

          Contudo, isso não significa que não devamos fazer aquela leitura coerente do Evangelho. Ele exige, por si mesmo, por força de seu significado, uma adequada iluminação das experiências significativas da existência das pessoas. Afinal de contas, ele é luz para a caminhada. Porém, o trabalho de interpretação dele vai além de técnicas de comunicação e de marketing. Ele também as questiona.                                             As nossas experiências significativas circulam nas esferas do sentido da vida, da morte, dos valores, do amor, do ódio, da religião, da ética, das virtudes. A fé cristã fala para essas realidades concretas e não ao colorido da propaganda. É muito deficitária a ação evangelizadora que reduz Jesus de Nazaré ao bonito, agradável, mágico ou ao super pop star. Um justo equilíbrio entre o anúncio do eternamente novo e do incontaminado; do profético e transformador; da sã Tradição e do inculturado; da verdade objetiva e da subjetiva fazem bem para qualquer seguidor do Jesus dos evangelhos.

Pe. Júlio Antônio da Silva


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