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SEXO FORTE X SEXO FRÁGIL


Apesar das características próprias a todo ser humano, é evidente a diferenciação entre homem e mulher. São diferenças nos aspectos fisiológico exterior do corpo, a começar no sexo, pelo modo diferente que homem e mulher têm na geração e gestação de filhos... Porém, as diferenças vão além do físico-fisiológico. Ser homem ou ser mulher é uma característica que afeta e distingue todo o profundo do ser pessoa, fazendo com que a pessoa viva a vida de maneiras diferenciadas e com atitudes próprias.

Hoje em dia, ao menos na teoria, afirmamos que homem e mulher são seres humanos iguais. Mas não é isso que vemos na prática. Percebemos muitos preconceitos. Catalogamos atributos particulares para cada um dos gêneros humanos. Impomos-lhes certos comportamentos e qualificativos nem sempre verdadeiros, muitas das vezes criados e repassados por uma educação e cultura midiática que não condizem com a essência da pessoa.

Deixando de lado os preconceitos e redescobrindo a originalidade da pessoa humana, nós a vemos como a mais significativa e bela obra da criação: “Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher e os abençoou...” (Cf. Gên 1, 27-18). Tão importante é essa obra divina que foi feita um ”pouco menos que um deus” (Sal 8, 6).

Na visão divina, a pessoa humana vive na e da complementaridade, reciprocidade e igualdade. São companheiros. Caminham de mãos dadas. Por isso, não é possível admitir dominação por parte de um, uma e submissão por de outro, outra. Ambos foram colocados cara-a-cara, embora diferentes, numa profunda e divina complementação. A mulher é para o homem e o homem é para a mulher. E podemos ir mais longe: Esse saudável encontro acontece devido a um belo aspecto, afirmado por algumas correntes das psicologias profunda e diferencial, que acentua a busca do feminino no masculino e do masculino no feminino. Isto se explica porque o homem tem dentro de si “a mulher” e a mulher tem dentro de si “o homem”.

A tarefa de cada pessoa humana é buscar uma sadia integração da feminilidade e da masculinidade, dentro de si mesmo. No homem predomina a virilidade; na mulher, a feminilidade. É na harmonização entre ambas, apesar das diferenças externas e profundas entre masculino e feminino, que a pessoa humana encontra seu equilíbrio biológico, psicológico, emocional, espiritual. Tanto um como outra tem, em si, a grandeza de ser uma pessoa completa. Todavia, nem só a mulher e nem só o homem bastam-se a si mesmos. Ambos existem como seres relacionais em busca de complementaridade.

Libertação e emancipação do homem e/ou da mulher não podem passar por uma falsa concepção de opositores: um é o “sexo forte” e o outro ser o “sexo frágil”. Emancipar a mulher não significa virilizá-la, menos ainda futilizá-la. Em contra partida, libertar o homem consiste em mostrar-lhe que ele não foi feito nem dominador e nem mero provedor da família.

Mulher e homem possuem a mesma grandeza e dignidade. Libertos e emancipados, trarão o indispensável equilíbrio para a humanidade na construção da ternura e do vigor, valores necessários para a saúde social.

Pe. Júlio Antônio da Silva


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