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O escândalo da cruz


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                     Num olhar pela história humana, deparamos com apresença truculenta de imensas manifestações do mal, desofrimentos, de violências das mais variadas formas, deproblemas e males de todo tipo. Sem contar, é lógico, comabalos sísmicos, ciclones, erupções vulcânicas e tantos outrosajustamentos do planeta... Mas o que mais causa problemas nahistória humana é o mal produzido pelo homem contra opróprio homem. De grupos humanos contra grupos humanos.De nações contra nações. Culturas contra culturas... Há umexcesso de agressividade por todo canto. Há um mal institucionalizado que massacra e rouba a dignidade, o sentido ea beleza da vida em todas as suas formas. Há males insuportáveis, totalmente intoleráveis para com vidas que seempenham ou se empenharam na construção de um mundomais humano.  Pessoas que tiveram a santa ousadia de anunciar e denunciar situações e mecanismos de morte dos pequenos e pobres desta terra são mortas gratuita e violentamente. Inocentes são trucidados pelo ódio e vingança daqueles quepreferem subir às custas do sangue de tantos mártires.                            Suas mortes são um absurdo. Totalmente sem sentido. A fé cristã apresenta Jesus Cristo como aquele que teve que mergulhar nesse mundo imundo de maldades e perversidades.Ele enfrentou as causas e consequências dos esquemasdiabólicos da maldade. E conseguiu virar o mundo de pernas proar. Sem triunfalismo nenhum, seu messianismo tornou-se aproposta alternativa diante de um mundo cheio de opressão.Humilhado. Perseguido. Preso. Torturado. Flagelado. Pregadonuma cruz como qualquer bandido, criminoso e subversivo.

                      Levado a uma morte ignominiosa, vergonhosa e violenta.Humanamente falando, seu projeto foi frustrado. De tudo e paratodos tornou-se o "bode expiatório". Porém, ele tudo enfrentoude cabeça erguida. Deu sentido ao sem sentido. Reagiu à faláciado mal, da maldade e dos maldosos. Entendeu que todo oprocesso de sua vida era um gesto de fidelidade incondicional àvontade de seu Pai, em vista da libertação de uma multidão deirmãos e irmãs.  A entrega total da vida de Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus,em favor dos outros, já significava que sua morte era certeza devida nova, diferenciada. Esse paradoxo violento e doloroso faziaparte de sua mística de vida. Ele mesmo afirmou: “Não existe prova maior de amor do que dar a vida pelos amigos”(Jo 15, 13).Para ele, a pessoa que não entrega sua vida pelos outros, emvista da construção da solidariedade, já está morta para sempre.  Nada é mais contraditório para o ego humano do que isso. Se um ser humano é incapaz de dar a vida pelos outros, já está morto. Mas se há o gesto da oblativa e gratuita entrega, o ser humanovive eternamente.  Não é sem razão que a primeira comunidade dos seguidores de Jesus experimentou a novidade trazida pelo escândalo da cruz. Aquele gesto de entrega produziu vida plena e abundante.

               A cruz foi apenas um trampolim para remeter o condenado e seus seguidores para uma experiência muito mais rica, de uma vida totalmente nova e definitiva, a vida dos ressuscitados no Ressuscitado.Image title

Pe. Júlio Antônio da Silva                                  


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