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A família em mudança


        A família, nestes últimos cinqüenta anos, sofreu consideráveis transformações. Ninguém pode negar mudanças estruturais nesta instituição. Vão desde a redução do número de filhos, até uma nova compreensão e vivência das relações intrafamiliares. Teríamos uma lista infinda de elementos novos, positivos ou negativos, na evolução da família. Lembremo-nos de alguns: A superação do modelo patriarcal; do machismo e do feminismo; a participação de todos na vida do casamento e da família, criando um espaço fértil para o diálogo, para a participação, para a corresponsabilidade, para expressões de afeto; a busca de uma formação para a liberdade consciente e responsável... Nas classes médias e altas verifica-se um fenômeno novo: nossos jovens ficam dependentes de seus pais por mais tempo, sem um projeto de vida definido, sem vontade e condições de assumirem responsabilidades de gente adulta, prolongam a etapa da adolescência. Todas as famílias sofrem diante das contradições sociais, especialmente diante do pluralismo e individualismos pós-modernos.

        Na família da grande cidade, observa-se uma postura de isolacionismo com relação à sociedade e a outras famílias. Cada família defende o que é seu. Evita-se o convívio. Fecha-se em seu próprio apartamento. Busca-se a privacidade. Não se leva em consideração que a família é e pode ser a grande agente de transformação social.

        Embora nossas condições históricas e culturais levam-nos a uma leitura personalista, não podemos esquecer que sociedade e família não podem ser analisadas de um modo isolado. Ambas as realidades se interpenetram, influenciando-se mutuamente. Uma sociedade bem constituída favorecerá o surgimento de um quadro familiar mais estável. Uma família bem constituída favorecerá o surgimento de um quadro social estável.

        Preocupada com a estabilidade das famílias nas sociedades organizadas, a Santa Sé, em 22 de outubro de 1983, elaborou a “Carta dos Direitos da Família”. Com esta carta, procura reforçar a consciência do papel insubstituível da família e apelar aos Estados, Organismos e Organizações Internacionais que assegurem seus compromissos em relação à instituição familiar. Entre outros direitos apontados pela Santa Sé, resumidamente lembramos: Uma adequada política pública no campo econômico, social, fiscal, jurídico, de modo a assegurar um nível de vida compatível com a dignidade e o pleno desenvolvimento da família; uma ordem social e econômica em que a organização do trabalho permita aos membros da família viverem juntos com bem-estar e estabilidade; uma remuneração suficiente para a vida familiar e a educação dos filhos; uma moradia decente, adequada à família, em ambiente que ofereça os serviços sociais indispensáveis; uma assistência social digna dos necessitados; medidas de segurança social que preservem a vida e a integridade dos membros da família.

        Sem essas condições básicas, é difícil verificar um desabrochamento harmônico da família. A ausência das mínimas estruturas sociais e a falta de uma visão clara de desenvolvimento auto-sustentável criam situações de pobreza e miséria em nossas famílias, impedindo a construção de valores básicos da vida humana, em vista da construção de uma sociedade justa e solidária.

Pe. Júlio Antônio da Silva


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